domingo, março 08, 2009

Hoje sonhei...

Terminei há muito pouco tempo o curso de jornalismo. Não consigo conter o entusiasmo. Só quero começar a trabalhar. Quero investigar, escrever, captar imagens e mostrar o meu trabalho ao mundo. Quero conhecer novas realidades, quero perceber certos porquês, quero ver o que nunca vi e partilhar.
Está a ser muito difícil encontrar emprego. A procura é muita e a oferta tão escassa. Concorri para um lugar num jornal e fui chamada para a entrevista. Cheguei à redacção e dirigi-me a um rapaz que parecia um recepcionista. Expliquei-lha para que ali estava. Muito simpático e sorridente respondeu-me:
-Sim, sim, a doutora vai já recebê-la.
Conduziu-me ao gabinete onde se encontrava a mulher que me iria fazer a entrevista.
Desde logo se fazia notar a grande diferença entre nós. Eu vestia umas calças de ganga e uma t-shirt. Calçava umas sapatilhas e usava uma mala tiracolo. O meu cabelo encontrava-se amarrado. Aquela mulher era bem mais elegante. Vestia um blazer e uma camisa. Como estava sentada não conseguia ver o resto mas devia usar umas calças que fizessem parte do fato e uns sapatos de salto. Apresentava-se muito bem maquilhada e penteada, usando o seu cabelo loiro solto. Evidenciavam-se os seus brincos compridos e brilhantes que deviam ser de prata. Certamente era da minha idade mas parecia bem mais velha...ou eu mais nova. Ganhei-lhe logo respeito.
O próprio gabinete contemplava uma certa elegância. A janela que se estendia à esquerda chamou-me a atenção. Dela podia ver-se o mundo que se encontrava lá fora. Aquele que eu quero descobrir e explorar.
Aquela mulher pareceu-me bastante acessível. Pediu-me o curriculum, fez perguntas sobre os trabalhos desenvolvidos no meu curso e sobre as minhas experiências no campo da comunicação. Perguntou-me se estava disposta a deslocar-me para qualquer lugar e trabalhar qualquer tipo de tema. Respondi-lhe sempre afirmativamente. Mostrei-lhe o meu espírito de aventura dizendo que aceitava qualquer trabalho, investigava o que fosse necessário e ia para qualquer lado. Gostava de conhecer mundos diferentes. Ao falar-lhe olhava discretamente pela janela. Ambiciono,com fervor,tudo o que está para além desta. Fiz-lhe ver a minha vontade e garra. Considero que a entrevista correu bem. Estava à espera de algo assustador e tal não foi...Talvez porque luto pelo que tanto quero.
Em contraste com o meu entusiasmo, aquela mulher permanecia bastante calma. Não me pareceu tão aventureira como eu sou. Perguntei-me que faria ela naquele jornal.
Estava tudo nas mãos dela. Era ela que tinha o poder. Ela iria decidir o meu futuro, se ia ou não concretizar o meu sonho.
No fim da entrevista não resisti e perguntei-lhe:
-Que curso tirou?
Ao que ela respondeu com uma simplicidade que nada a caracterizava:
-Gestão.

2 comentários:

Å®t Øf £övë disse...

Anabela,
O teu entusiasmo e a tua garra são contagiantes, e ficam bem claros na forma como escreves. Por isso desejo-te a maior sorte do mundo, e o maior sucesso profissional nessa profissão tão interessante que te encontras disposta a abraçar como todas as tuas forças.
Bjs.

Peter disse...

É verdade que o sonho comanda a vida, mas por vezes é necessário percorrer caminhos mais longos para lá chegar, ao invés de tomar atalhos. É que depois podemos arriscar-nos a que seja a vida a comandar-nos os sonhos...
Beijocas!