segunda-feira, maio 04, 2009

Sociedade: "Espelho de almas vazias"

A sociedade é um palco. Nós somos os actores. Todos representamos. Fazêmo-lo tão bem que chegamos a perder a nossa própria identidade. Escondemo-nos por de trás de figurinos tão apetrechados que nos tornamos irreconheciveis. Passamos a ser o papel que assumimos.

Há momentos em que quero sair desse palco. Quero tirar o traje tão fantasiado que me sufoca, mas este parece colado ao corpo. Sinto-me vazia e falsa. Sinto-me coberta por uma capa que não deixa que me vejam, que não me deixa ver quem sou.

E olhando para quem me rodeia vejo pessoas tão iguais: as mesmas caras, as mesmas roupas, os mesmos sentidos, as mesmas mentalidades. Não há identidade, não há nomes, não há personalidades. Apenas uma sociedade homogénea: um espelho de almas vazias!

Não me identifico com este padrão. Mas ainda não descobri a minha identidade. Quem o descobriu?

Serei o que sou ou o que querem que seja? Não aceitam a diferença. Será que eu própria aceito?
Teremos nós medo que descubram o que está dentro de nós? Ou talvez que nós próprios descubramos?
Teremos medo de ser alvo de criticas? Então porque somos tão críticos?
Afasto-me da multidão. Refugio-me na solidão de quem vive acompanhado pelos queo ouvem mas não lhe falam.Fujo dos olhares críticos e dos juízos mal formados. Misturo-me com o simples e natural. Encontro-me comigo própria, porque às vezes é preciso estar connosco; estabelecer um diálogo; perguntar "quem és?"; pedir "fala-me de ti, diz-me o que sentes, diz-me o que queres." É afastada de espaços vazios de multidão que encontro quem mais procuro. Quem se escapa por entre a insegurança. Fecho os olhos e respiro ar puro. O ar de quem encontra a liberdade. Pinto o meu mundo com as minhas cores. Dou-lhe formas inéditas e sorrio. Encontro um ser único e especial. Um ser tão doce que apetece trincar. Um ser tão frágil que apetece andar com ele ao colo. Um ser tão brilhante e grandioso que passo a idolatrar. Todos temos este ser, mas poucos o encontram.
Regresso à sociedade. Assumo o meu brilho por entre almas escuras. Se te choca, olha para dentro de ti. Afasta-te de esteretipos e preconceitos. Encontrarás a tua própria diferença e reconhecer-te-ás como único e especial.
Porque a sociedade é um palco. Nós somos os actores. Todos representamos. Porém, cada um desempenha um papel diferente. O seu próprio papel.

1 comentário:

CG disse...

Já me senti assim, mas decidi ser sempre eu própria e não deixar de dizer ou fazer aquilo que bem entender com medo do que os outros possam dizer ou pensar de mim.
Por isso é que geralmente as pessoas ou gostam muito de mim ou não me suportam.
A vida é demasiado curta! E nós somos únicos no mundo, não existe ninguém igual a nós!
Big Kisses